Nascimento de Jesus
Por Ana Lucia Santana
Às vésperas da vinda de Jesus, o mundo já havia conquistado
a sabedoria ateniense e a família romana. Roma conheceu neste período momentos
de harmonia, paz e prosperidade, como nunca antes. O Imperador Caio Júlio César
Otávio alcança o poder depois do assassinato de seu pai adotivo, Júlio César.
Após a morte deste, Roma mergulha em profunda perturbação. Mas logo aparecem os
primeiros êxitos de César Augusto ou Augusto, nome adotado pelo governante
romano, com a instauração do triunvirato – divisão do poder entre ele e dois
amigos de César, Marco Antônio e Lépido. Depois de vários conflitos entre eles,
Augusto se torna o senhor de Roma e o artífice de uma era de progresso intenso,
com a proliferação de templos e monumentos importantes, a paz se disseminando
por todo o Império, até a mais remota província. Artistas e empreendedores se
multiplicam pela cidade dos Imperadores, as leis são renovadas e a educação
conhece avanços anteriormente desconhecidos. Nesse momento despontam mentes
brilhantes e criativas, como Virgílio, Horácio, Ovídio, Tito Lívio, Mecenas,
entre outros.
Nascimento de Jesus Cristo. Foto: PixelDarkroom /
Shutterstock.com
Nascimento de Jesus Cristo. Foto: PixelDarkroom /
Shutterstock.com
É nesse contexto que nasce Jesus Cristo, o Messias
anunciado. A concepção de um Messias é historicamente antiga, embora seja
sempre associada ao judaísmo. Mas, ao se estudar as religiões antigas,
encontra-se em várias civilizações esta crença ancestral. Entre os judeus este
conceito aparece entre os séculos IV e III a.C, na literatura que contém as
profecias. Na tradição hebraica, portanto, ele é o enviado de Javé, com o
propósito de estabelecer no mundo o Reino de Deus. Uma tradição nascida entre
os Macabeus, família judaica que, entre 140 a.C. e 37 a.C., liderou uma
rebelião contra os selêucidas e deu início a uma dinastia real na Judéia,
governando Israel até a dominação romana, acreditava que o Salvador seria o
libertador da cidade do jugo de Roma. Mas enquanto o povo aguardava um
revolucionário, o profeta Isaías anunciava a vinda de um Messias de natureza
espiritual, que nasceria de uma virgem, sofreria terríveis dores e uma morte
cruel, para salvar a Humanidade.
O nascimento, a vida e os ensinamentos de Jesus são narrados
pelos Evangelhos oficiais, que integram o Novo Testamento. Os apócrifos também
apresentam dados importantes sobre o Mestre, principalmente acerca de sua
infância, igualmente descrita em detalhes nos Evangelhos de Lucas e de Mateus.
Segundo Lc II, o Imperador romano promulgou nesta época um decreto que obrigava
todas as famílias a realizarem um recenseamento em suas respectivas terras
natais. Maria, que nesta época já estava grávida – concepção supostamente
anunciada pelo anjo Gabriel, que lhe teria comunicado que ela engravidaria pela
graça do Espírito Santo -, partiu ao lado de José, seu marido, de Nazaré para
Belém. A viagem deveria demorar aproximadamente cinco dias e é justamente
quando se encontra nesta jornada que Maria entra em trabalho de parto. Todas as
hospedarias se encontravam lotadas, e então só resta encontrar abrigo em um
estábulo, no qual nasce Jesus, precisamente numa manjedoura – tabuleiro no qual
se deposita comida para os animais. O Menino, como era de costume na época, foi
envolto em faixas, para que ficasse aquecido e seus movimentos fossem
reduzidos.
É nesse momento que alguns pastores que se encontram nas
proximidades, zelando por seus rebanhos, são pretensamente abordados por um
anjo, que lhes anuncia o nascimento do Messias, e lhes oferece a exata
localização da criança. Esta passagem entrou para a história como o episódio
dos Reis Magos, que teriam visitado Jesus em seu berço improvisado e lhes
levado presentes – ouro, incenso e mirra. Este nascimento é hoje comemorado em
todo o mundo pelos cristãos, no dia 25 de dezembro, data fixada para marcar
este acontecimento extraordinário – o Natal, festa que celebra a vinda do
Messias, e que significa justamente ‘nascimento’.